


Quando comecei a ouvir falar sobre a infografia nem sabia o que isso era mas o termo levava-me a uma associação imediata a “gráfico”. Não estava de todo errada.
Após o decorrer das aulas de Design de Comunicação Visual e, de forma mais incisiva, na aula teórica sobre infografia apercebi-me que infografia engloba muitas coisas e que ao desfolharmos um jornal, uma revista encontramos múltiplos e diversificados exemplos desta.
Para mim, a infografia é um esboço, um esquema colorido de um texto, ideia, filme, o que for. É uma simplificação, se for bem realizada. Como Alberto Cairo referiu numa videoconferência na Universidade de Carlos III – Madrid, a infografia é “uma forma de tratamento da informação” relacionada com o jornalismo e com a informação mas acima de tudo é uma forma de visualização de informação.
A infografia pode ir do mais simples ao mais complexo. A infografia pode ser estática ou dinâmica, assemelhando-se a um mini-site.
A proposta número 4 de DCV era escolher uma notícia e fazer uma infografia sobre ela. Ao fim de vários dias de procura concluí que este método já é bastante utilizado e poucos são os artigos longos que não a utilizam. Isto tem uma razão de ser. Para mim, a infografia dá um destaque visual importante ao tema tratado. Além do mais, em alguns casos, o título e uma infografia chegam para a pessoa ficar a saber o que se diz em uma página de texto.
Segundo Cairo, para fazer infografias não é preciso ser artista visto que “o desenho gráfico e a arte são secundárias”. Antes de tudo, é necessário pensar o que é que o leitor/usuário precisa de saber. Depois de o sabermos, é essencial reunir a informação, planifica-la e criar a arte final.
Através da infografia é possível a análise de dados de uma forma muito mais rápida. Senão vejamos, o exemplo do metro de Londres.
“O mapa de bolso das linhas do metro publicado pela London Transport Corporation oferece as informações necessárias com a maior clareza, e ao mesmo tempo agrada aos olhos pela harmonia de seu projecto. Consegue-se isto renunciando-se a todo o detalhe geográfico com excepção daqueles aspectos topológicos pertinentes – isto é, a sequência de paradas e interligações. Todas as vias são reduzidas a linhas rectas; todos os ângulos, aos dois mais simples, de quarenta e de quarenta e cinco graus. O mapa omite e deforma muito, e por assim fazê-lo é a melhor imagem possível daquilo que quer mostrar.“ [Arnheim] Antes, no quadro anterior, em ponto pequeno, como as estações estavam muito próximas o mapa tornava-se inelegível. Houve uma simplificação da informação de forma a torna-la o mais compreensível possível, explicou Alberto Cairo.
versão 1.0


Tipo de letra predominante : Times New Roman por ser aquela que mais identifiquei com a máquina. “Olhe para qualquer lado e você verá uma palavra escrita sobre alguma coisa. A escrita é uma das grandes invenções humanas, definiu os rumos da civilização. Toda palavra escrita tem uma forma e esta forma é resultado de escolhas técnicas mas também estéticas, portanto ideológicas. Por isso, eu não acredito em neutralidade. Há uma inter-relação da forma com o conteúdo. A tipografia é importante porque dá forma à escrita. Seja em uma placa de trânsito com a palavra PARE ou em um site com bilhões de palavras, a fonte vai expressar algo que pode ser coerente com a informação e com a função do texto mas que, não raro, pode ser conflituante ou gerar ruído.” Esta foi a resposta de Ricardo Mayer (http://www.ricardomayer.com/) aquando numa entrevista lhe perguntaram “Qual a importância da tipografia?”. De facto, este designer consegue exprimir nestas linhas o valor que a letra tem e que, usualmente, não valorizamos.
As letras não são meramente aquilo que olhamos. É preciso vê-las. É através do ver que conhecemos o objecto do nosso olhar para, assim, conseguirmos perceber o que a tipografia transmite. O tipo de letra utilizado pode-nos transmitir muito mais que a identificação da letra. Por via dele podemos conhecer a personalidade da letra e, consequentemente, a personalidade de quem a escreve e/ou publica. Este vídeo apresenta a vertente mais teórica da tipografia.
Quando o meu pai, no primeiro Natal do meu irmão, lhe ofereceu um conjunto de livros acerca do abecedário português eu achei um disparate. O rapaz ainda começava a palrar e já tinha uma colectânea de livros de A-Z para ler. Agora, pensando melhor, vejo que o meu pai sabe o quanto são importantes as letras nas nossas vidas. Ouso dizer que se o ponto é a unidade mínima da comunicação visual, a letra é a unidade mínima da comunicação verbal e escrita.
Muitas vezes, as palavras assumem-se como personagens e ganham relevo. Por vezes, a fonte acaba por ter mais relevo que o próprio conteúdo pois acaba por ser “um dos elementos que contribuem para a construção de uma linguagem de um conceito, não só pela informação escrita mas também pela expressão formal que vai formar”, como afirma Ricardo Mayer.
Atentemos no seguinte vídeo:
Para verificar se a letra se assumia efectivamente como personagem, pedi colaboração ao meu irmão (8 anos) que ainda não consegue perceber este nível escrito de inglês. Na primeira visualização pedi-lhe que me dissesse palavras que a imagem lhe fizesse lembrar. Ele disse tiros e morte. Na segunda mostra pedi-lhe uma descrição mais detalhada sobre as primeiras quatros cenas. O resultado foi o seguinte: 1) Letras a arrastarem-se e deixar rasto; 2) letras a saírem fora do sítio; 3) três tiros e algumas das letras a explodir e outras a fugir e gritar; 4) fogo nas letras e estas a transformarem-se em cinza. A minha conclusão foi que uma criança, apenas através de letras, consegue perceber o conteúdo que a publicidade pretende transmitir. Das quatro cenas só uma (cena 2) é que o significado não lhe foi tão compreensível de uma forma tão exacta pois, de resto, a mensagem foi comunicada correctamente apenas com a movimentação das letras. Isto só prova que a letra assume-se como o principal elemento desta publicidade.

Figura1 

de diversos tamanhos, acompanhadas com um fundo azul e com uma moldura branco que lhe confere outra dimensão. A linha, talvez por ser da cor vermelha, é o primeiro elemento que me chama à atenção. Devido á sua inclinação e formato faz-me lembrar uma caneta. Os pontos, apesar de não serem perfeitos, fazem o nosso olhar seguir uma espécie de linha por eles formada, ora mais fina, ora mais grossa. Estes dos elementos reunidos fazem-me pensar numa caneta que escreveu algo, contudo se assim for, a caneta deveria estar do lado oposto ao que está colocada. Surrealismo ? Com toda a certeza.